quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O azeite é mesmo a gordura do bem?


As propriedades nutricionais e terapêuticas do azeite vêm sendo demonstradas em vários trabalhos científicos. Conheça melhor este alimento.


Estamos, pouco a pouco, desmistificando os rótulos dos vários alimentos, compreendendo melhor seus nutrientes. Sabemos que nem todas as gorduras são prejudiciais, que nem toda redução de carboidratos é saudável, que o excesso de proteínas faz mal à saúde e que o equilíbrio e a variedade sãos as bases para uma dieta saudável. Mesmo assim, as dietas estão constantemente sendo estudadas e testadas para que possamos orientar os pacientes de forma menos empírica, prescrevendo as dietas baseadas em evidências científicas.

Atualmente, há uma tendência real entre os estudiosos de Nutrição no sentido da redução na proporção dos carboidratos das dietas em favor de um aumento na proporção das gorduras. Não estamos falando da suspensão dos carboidratos, nem estamos falando de qualquer gordura... Nosso posicionamento atual é o de que devemos reduzir entre 10 a 15% dos carboidratos das dietas em favor do aumento da gordura monoinsaturada. Aquela gordura presente no azeite de oliva.

Apesar disso, para que possamos ter uma dieta saudável, não basta reduzir o arroz e o pão e adicionar o azeite ao nosso prato. É muito importante reduzir a ingestão de gorduras saturadas. Essa é a parte mais difícil para os brasileiros, acostumados ao churrasco e à feijoada. Além deles, as outras fontes de gordura saturada, como os laticínios integrais, já são facilmente reduzidos do nosso cardápio, uma vez que leite, requeijão e iogurte desnatados vêm sendo incorporados à nossa dieta, com a vantagem de conterem muito menos gorduras saturadas, de oferecerem o mesmo valor nutricional, como o teor em cálcio, e de serem tão saborosos quanto suas versões integrais. Com relação aos queijos, ainda não conseguimos tal façanha, uma vez que os queijos magros são bem menos saborosos e ainda contêm alto teor de gordura saturada. Assim, regar a pizza de mussarela com azeite não a deixa mais saudável, apenas mais calórica, pois ela continuará tendo alto teor de gordura saturada devido ao queijo.

As propriedades nutricionais e terapêuticas do azeite vêm sendo demonstradas em vários trabalhos científicos. Há muitas evidências de que esse tipo de gordura pode ter efeitos benéficos na prevenção cardiovascular e do câncer, principalmente o azeite não refinado ou virgem. Ele é praticamente isento de gordura saturada e contém, além da típica gordura monoinsaturada, presente em todos os tipos de azeite, altas concentrações de vitamina E, beta caroteno e polifenóis. Essa associação de compostos parece ser a responsável pela sua atividade antioxidante e antiinflamatória. Entre os óleos de oliva encontrados nos supermercados, aqueles produzidos pela presa direta ou centrifugação são ditos virgem ou extra virgem e se distinguem pelo seu alto conteúdo de polifenóis (150 a 350mg/kg) em comparação aos azeites refinados, que apesar de também serem fontes de gorduras monoinsaturadas, são pobres em polifenóis.

Dieta do Mediterrâneo e seus componentes

A Espanha lançou uma campanha, junto à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), para transformar a Dieta do Mediterrâneo em patrimônio cultural da humanidade. É bem conhecida entre os países europeus a baixa taxa de mortalidade cardiovascular entre os povos da área do Mediterrâneo, incluindo Itália, França, Espanha e Portugal em relação aos países do norte e do leste europeu. A explicação mais provável para esse fenômeno está relacionada à Dieta Mediterrânea, uma forma de alimentação cuja principal característica é sua riqueza em gordura monoinsaturada.

Mas é muito importante lembrarmos que a Dieta do Mediterrâneo é muito mais do que uma dieta rica em gordura saudável. Os povos mediterrâneos consomem muitas frutas, cereais e hortaliças, vinho tinto regularmente e uma quantidade muito pequena de gordura saturada, sob a forma de carne vermelha. Assim, fica difícil reconhecermos o real papel do azeite na proteção cardiovascular dessas dietas ou se o grande benefício das mesmas está na associação de vários alimentos benéficos juntamente com uma drástica redução de alimentos sabidamente deletérios, como a carne vermelha rica em gordura saturada.

Os efeitos benéficos do azeite

Muitos trabalhos científicos têm sido realizados no sentido de avaliar os prováveis efeitos do azeite em nossa saúde, além de ser um ingrediente saboroso em nossos pratos. Entre eles, dois trabalhos relativamente recentes e publicados em revistas médicas de grande credibilidade e rigor científico revelam muitos dos potenciais benefícios dessa gordura do bem.

No primeiro deles, os autores descobriram que a proporção dos nutrientes de uma dieta pode interferir na distribuição da gordura corporal, mesmo sem afetar o peso das pessoas e que o consumo regular do azeite propiciaria uma redistribuição da gordura no sentido de reduzir seus depósitos abdominais em benefício dos depósitos periféricos. Isso pode muito bem explicar a proteção cardiovascular da Dieta do Mediterrâneo, uma vez que a obesidade central está claramente relacionada ao infarto agudo do miocárdio e às várias outras formas de doenças do coração. Esses dados foram publicados no Diabetes Care, a revista da Associação Americana de Diabetes.

No segundo deles, publicado na revista Annals of Internal Medicine, os autores conseguiram comprovar que o conteúdo em polifenóis do azeite está intimamente relacionado ao poder antioxidante dessa gordura e que em sua forma virgem, com altos teores de polifenóis, o azeite consumido regularmente, aumenta os níveis do HDL ou colesterol bom e reduz o dano oxidativo que ocorre ao LDL ou colesterol ruim, tornando-o menos deletério. Talvez essa característica seja mais um reforço aos grandes benefícios à saúde causados pela Dieta do Mediterrâneo.

Assim, o azeite, principalmente o não refinado ou virgem, é dotado de vários componentes potencialmente benéficos à saúde cardiovascular, compreendendo as gorduras monoinsaturadas, os polifenóis, sem deixar de mencionar outro potente antioxidante também presente em abundância no azeite, a vitamina E.

Vantagens do azeite extra virgem

O efeito na redistribuição de gordura corporal foi demonstrado com todos os tipos de azeite de oliva, uma vez que a gordura monoinsaturada, responsável por esse efeito, está igualmente presente em todos eles.

Já quando se fala em evitar a aterosclerose e prevenir a formação das placas de gordura, que obstruem as artérias, o azeite extra virgem, de longe é o melhor, pois o efeito na redução da adesão do colesterol às paredes dos vasos sangüíneos é exercido pelos antioxidantes presentes nessa forma não refinada do azeite. Os azeites extra virgens possuem uma acidez igual ou inferior a 0,7 por cento, comparados ao azeites refinados, cuja acidez é de cerca de 1,5 por cento.

Como e quanto consumir

É aconselhável manter o azeite em recipientes escuros, em locais frescos e longe da incidência de luz, uma vez que o produto pode sofrer oxidação quando exposto em frascos e galeteiros transparentes.

Ao consumir o azeite devemos observar a data de validade como qualquer outro alimento. Depois de aberto, o produto, desde que conservado longe da luz e bem tampado, deve ser consumido em seis meses, no máximo. Pode ser utilizado à temperatura ambiente, como pode ser aquecido em alimentos cozidos. Só não vale fritar ou abusar de temperaturas altas, pois quanto maior o calor, maiores as perdas dos seus compostos benéficos.

Apesar de tantos benefícios, o azeite é tão calórico quanto à banha de porco. Fornece 9 calorias por grama do produto e pode adicionar muitas calorias ao cardápio de uma pessoa, inviabilizando seus planos de alcançar ou manter um peso ideal. De acordo com as recomendações do FDA (US Food and Drug Administration), a média ideal para um adulto seriam quatro colheres de sopa diariamente, o que fornece 200 calorias diárias.

Além da proteção cardiovascular

Muitas pesquisas têm relacionado o consumo regular do azeite a efeitos bactericidas (sobre o H-pylori nas gastrites), efeitos analgésicos (em doenças inflamatórias crônicas), efeitos na prevenção de fraturas e vários tipos de câncer (como os de cólon e mama). São estudos preliminares e que ainda necessitam de comprovação de aplicabilidade clínica, mas demonstram o grande potencial terapêutico do azeite, além do seu refinado e inconfundível sabor.

Fonte: Bondenews

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Balão intragástrico é alternativa para emagrecer


A principal vantagem deste procedimento, em relação às demais cirurgia de obesidade, é que praticamente não há riscos.

O percentual de obesos no mundo cresce a cada ano, China e Estados Unidos, lideram as pesquisas do número de pessoas que sofrem com o excesso de peso. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais da metade da população adulta brasileira está acima do peso, cerca de 48% das mulheres e 50,1% dos homens acima de 20 anos.

Muito mais do que uma preocupação estética, a obesidade, caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura no corpo, provoca uma predisposição maior a doenças, como problemas de coração, diabetes, sem contar que pessoas com este problema têm uma expectativa de vida menor do que uma outra de peso normal.

Para combater este mal, que na maioria das vezes é causada pela falta de exercícios e alimentação inadequados, especialistas e estudiosos desenvolveram novas técnicas terapêuticas. Um tratamento que vem sendo recomendado por alguns especialistas é o balão intragástrico, realizada por endoscopia, que é um tratamento não cirúrgico.

Esta opção de tratamento para obesidade utiliza uma prótese de silicone com formato esférico, que possui uma superfície lisa e apresenta uma válvula por onde é insuflada dentro do estômago do paciente. "A presença do balão dentro do organismo provoca uma sensação de saciedade de forma precoce, diminuindo o volume na alimentação.", destaca o Dr. Antonio Celso Moraes, que é especialista em cirurgia digestiva, gastroenterologia e nutrologia.

Segundo o especialista, o método pode ser utilizado em qualquer paciente que busque emagrecimento, e não queira usar medicamentos e nem submeter-se a uma cirurgia. "Os pacientes podem estar com 15 a 20 kg acima do peso ou muito acima disso. Mas, antes é necessário que a pessoa que queira se submeter ao tratamento passe por uma avaliação de perfil emocional e nutrologica, além de exames como endoscopia previa e de sangue rotineiros.", destaca Moraes.

O procedimento é realizado em ambiente hospitalar, o paciente é submetido a uma sedação anestésica, e através da endoscopia, coloca-se o balão no estomago. Em média o processo dura cerca de 20 minutos. "É importante salientar que o balão tem baixíssimo risco, pode provocar apenas náuseas e vômitos nos primeiros dias.", destaca o especialista que é titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e da Federação Internacional de Cirurgia de Obesidade.

No pós-cirúrgico o paciente terá que se submeter a uma dieta especial, nos primeiros dias líquidos para adaptação, depois pastosos, depois retorna alimentação normal, porém com menor quantidade. "Existe a necessidade de uma reeducação alimentar com uma dieta fracionada. o balão é coadjuvante ao tratamento, pois é importante a mudança comportamental, melhorar os hábitos alimentares, fazer exercício físico, tratar distúrbios hormonais que possam existir, entre outras atitudes.", alerta Dr. Antonio Cello Moraes.

O paciente fica com o balão intragástrico em média por oito meses e o procedimento de retirada é tão simples quanto a colocação, também por endoscopia. Este tratamento só é recomendado para pessoas com mais de 15 anos.

Hoje já é possível realizar procedimentos como este parcelando o pagamento, pois muitos especialistas trabalham com empresas que prestam serviço de assessoria administrativa e financeira e facilitam para quem não pode pagar a vista. No Centro Nacional de Cirurgia Plástica, por exemplo, o paciente poderá pagar o procedimento com balão intragástrico em até 36x (com informações es.ti.lo press).

Fonte:bondenews

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Alho negro traz nova cor à gastronomia





O bulbo comum, fermentado e envelhecido, perde o sabor ardido, recebe cor e começa a chegar às mesas de restaurantes brasileiros.



A coloração negra do alho é obtida por meio do controle de temperatura e umidade em estufaDoce, frutado e macio. Quem diria que essas seriam qualidades atribuídas a um alho? Um processo originário do Oriente para fermentação e envelhecimento do bulbo comum (Allium sativum) traz nova cor à mesa. Com casca dourada e dentes escuros, pode levar a pensar que foi queimado ou está apodrecido. Mas, tal como vinho, o alho negro fica ainda melhor com o passar do tempo quando se tomam alguns cuidados.

A história faz segredo sobre a procedência da técnica de preparo do alho negro, assim como fazem aqueles que dominam o processo. O que se sabe, no entanto, é que coreanos e japoneses disputam o posto de criadores da iguaria. Na Coreia, foi introduzido como suplemento na dieta por conter alto teor de antioxidantes, substâncias benéficas à saúde. Na internet, há referências sobre um pesquisador japonês que teria “inventado” o tal alho em 2005. E foi justamente no Japão que o famoso chef espanhol Ferran Adrià o teria provado pela primeira vez, em 2007. De concreto mesmo, somente há a certeza de que o ingrediente é novo tanto para os orientais quanto para os ocidentais e que só agora, atraindo os olhares do mundo, escreve seu primeiro capítulo.


O alho negro possui características de sabor diferentes do alho comum. Vinagre balsâmico, tamarindo e melaço são notados.No Brasil, uma única produtora domina a técnica que transforma o alho comum em alho negro. Marisa Ono, cozinheira de mão cheia, vive em um sítio em Ibiúna, SP, e compartilha suas experiências culinárias no site Delícia. Uma conversa numa comunidade na internet, dois anos atrás, teria despertado o apetite da produtora por informações sobre a novidade. No fórum online, ela soube da existência da guloseima por meio do chef de cozinha Carlos Bertolazzi, do paulistano Zena Caffè. No ano anterior, ele havia estagiado no restaurante de Ferran Adrià, na Espanha, onde foi apresentado a caixas e mais caixas do produto, grafadas com letras japonesas. Não compreendia o que estava escrito, mas o sabor e o aroma despertaram sua atenção. “Fiquei maravilhado, e, de volta ao Brasil, perguntei à Marisa se ela sabia do que se tratava”, diz.




Processo de produção

Marisa, mais familiarizada com os ideogramas, iniciou sem alarde suas pesquisas. Grande parte da bibliografia para entender o processo de produção do alho negro encontra-se em japonês. “No final de 2008, chegou um Sedex para mim, com uma carta escrita a mão. Eram alhos negros obtidos por Marisa, e eu fiquei surpreso, porque mesmo sem conhecê-lo antes, sem saber a textura e o sabor, ela tinha chegado a 99% das características do produto. Ela fez o primeiro alho negro sem nunca ter visto um”, conta Bertolazzi.

Segundo ele, para fabricar um alho negro é necessário selecionar as melhores cabeças do alho comum – geralmente as com dentes maiores –, além de ter conhecimento sobre processos de fermentação. Escolhidas as cabeças, elas são mantidas numa estufa por entre três semanas e um mês. Nesse período, são controladas a temperatura e a umidade para que possibilitem atingir a coloração e o ponto ideal de maturação. “Não se aplica nada: é alho puro”, explica o chef. Depois de pronto, se bem conservado em embalagem fechada na geladeira, o alho negro tem validade de três meses.


A casca dourada indica o cuidadoso processo de fermentação que é dado ao produtoUma das qualidades do alho negro é sua versatilidade na culinária, indo bem até em sobremesas. O chef do Zena Caffè diz que já viu chocolate e sorvete com alho negro. “Ele lembra vinagre balsâmico, tamarindo e melaço, combina bastante com massas, frutos do mar e defumados. Quem não gosta do alho cru, quando experimenta o negro, vê que é uma coisa completamente diferente”.

O alho negro é pouco conhecido no país, mas aos poucos vem sendo introduzido na gastronomia brasileira. O consumo ainda é restrito a restaurantes e aos poucos entusiastas que procuram por novidades. Em São Paulo, a iguaria pode ser encontrada também em pasta, em empórios no bairro do Bom Retiro. Mas, in natura, só mesmo com Marisa, que comercializa o quilo a R$ 100 e envia por correspondência, adicionando os custos de frete.

Enquanto aguarda a encomenda, aproveite para aprender uma receita simples e saborosa com alho negro, criada pelo chef Carlos Bertolazzi.

Spaghetti al Triplo Aglio
(4 porções)

Ingredientes
- 320 gramas de espaguete
- 4 dentes de alho comum
- 2 cabeças de alho negro
- 1 talo de alho-poró
- Salsinha picada a gosto
- Sal e pimenta-do-reino moída a gosto
- Azeite a gosto

Modo de preparo:
Em uma frigideira, refogue com um pouco de azeite o alho-poró cortado em tirinhas bem finas e reserve. Aqueça mais azeite e doure o alho comum cortado em fatias finas até ficarem crocantes. Retire do fogo e adicione os dentes de alho negro e o alho-poró. Cozinhe a massa em bastante água salgada, até ficar al dente. Escorra o espaguete e misture aos alhos, adicionando um pouco da salsinha picada e ajustando o sal e a pimenta. Finalize com o alho frito e sirva imediatamente.


Fonte:Globo Rural

Feijão Tropeiro


Ingredientes:

250 gr de toucinho fresco cortado em cubos pequenos
2 dentes de alho amassados
1 colher (sopa) de sal
1 cebola média picada
1 pimentão verde médio sem sementes, picado
2 colher (sopa) de salsa e cebolinha picadas
5 xícaras de feijão-mulatinho ou feijão-fradinho cozido e escorrido
4 xícaras de couve cortada em tiras bem finas
1 1/2 xícara de farinha de mandioca.

Modo de preparo:
Coloque o toucinho em uma panela, leve ao fogo médio, frite até ficar ligeiramente dourado, com uma escumadeira, tire-os da panela e deixe escorrer sobre papel absorvente.
Coloque alho amassado, sal, cebola, pimentão, salsa, cebolinha na panela com a gordura e cozinhe em fogo médio, mexendo de vez em quando, por cerca de 5 minutos.
Acrescente o feijão, misture, continue o cozimento por mais alguns minutos, junte a couve, cozinhe rapidamente só até murchar um pouco, apague o fogo e junte a farinha de mandioca aos poucos, mexendo sempre até formar uma farofa.
Acrescente os torresmos, passe para um prato de servir e leve à mesa.

Rendimento: 6 porções.

Fonte: minha vida

Brasil já é o segundo maior produtor de transgênicos


O país expandiu a produção de organismos geneticamente modificados, cresceu 400% em relação a 2008 e ultrapassou a Argentina.

O cultivo de alimentos transgênicos definitivamente deixou de ser visto com desconfiança no Brasil. A produção brasileira de organismos geneticamente modificados já é a segunda maior do planeta. O país, que apresentou o maior crescimento mundial, superou a Argentina em 5,6 milhões de hectares plantados, somando 21,4 milhões em 2009. As lavouras apresentaram um crescimento de 35,4 % em relação ao ano anterior. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (23/2) pelo Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (Isaaa).

A expansão na produção de transgênicos é expressiva. Do total de soja plantada no país, 71% já é geneticamente modificada. De 14,2 milhões de hectares cultivados em 2008, o grão saltou para 16,2 milhões em 2009. O milho Bt - que teve o primeiro cultivo transgênico na safra de verão de 2008 - apresentou um aumento de 400%, somando 5 milhões de hectares, 31% do total cultivado no país. Já a produção de algodão caiu de 250 mil hectares para 150 mil hectares, neste ano.

A produção mundial também apresentou crescimento. Foram 134 milhões de hectares plantados. Em 2009, os Estados Unidos, maior produtor, cultivou 64 milhões de hectares. A Argentina, agora em terceiro lugar, teve seu plantio em 21,3 milhões de hectares.

De acordo com a diretora- executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), Alda Lerayer, o aumento na produtividade transgênica brasileira está relacionado às vantagens que a biotecnologia oferece. 'Essa tecnologia foi adotada rapidamente pelos agricultores porque eles têm um benefício direto', diz. As plantas modificadas tornam-se resistente a alguns insetos e vírus - maiores vilões das lavouras. Com isso, os agricultores reduzem a quantidade de pesticidas aplicados nas plantações e aumentam a produtividade. No ano passado, foram aprovados 19 tipos de eventos. Entre as variedades estão os de resistência a insetos e tolerância a herbicidas.

Segundo a pesquisa do Isaaa, no ano passado, 90% dos 14 milhões de produtores de transgênicos no mundo foram pequenos agricultores em países em desenvolvimento. 'E a tendência é crescer. Eles estão adotando com maior velocidade essa tecnologia', diz Alda Lerayer. Em 2009, não houve crescimento no número de países que adotaram a cultura geneticamente modificada: ainda são 25. A expectativa da Isaaa é de que, até 2015, 41 países utilizem a biotecnologia na agricultura
Fonte : Globo Rural

Resgate da cor




Coloridas, diferentes, as ovelhas de lãs escuras começam a destacar-se na paisagem (branca) da ovinocultura brasileira.




No mundo velho sem porteira da pecuária nacional, desde 2006 opera a Associação Brasileira de Criadores de Ovelhas de Lãs Naturalmente Coloridas (Abconc). Ao contrário do que parece, não é mais uma dissidência racial, e sim uma verdadeira coalizão dentro da ovinocultura nacional, toda compartimentada em raças especialistas em lã ou carne. Não fosse tão pretensiosa, a nova entidade poderia acomodar-se simplesmente como o "departamento de ovelhas negras" da poderosa Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos (Arco), fundada em 1942. Mas na pecuária ninguém se contenta em andar na garupa, nem mesmo os criadores desses animais, cujo maior talento é produzir lindos pelegos de alto valor.
Sucessora da ex-associação dos criadores de ovinos da raça karakul, fundada em 1984, a Abconc congrega criadores de todas as ovelhas de pelagem escura, não importa a raça - corriedale, crioula, ideal, ile-de-france, karakul, merino, romney-marsch, suffolk, texel, etc. Frutos aleatórios da ressurgência de gens sepultados por séculos de ênfase na produção de lã branca, as ovelhas negras e similares são marginais desde os tempos bíblicos. Representam naturalmente de 1% a 2% dos nascimentos da espécie. Sempre foram criadas mais por hobby que por economia. Paradoxalmente, são esses obscuros animais que estão ajudando a ovinocultura brasileira a sair de um atoleiro mercadológico.

Em março deste ano, dezenas de ovinos de lãs coloridas ocuparam baias na Feinco, em São Paulo, o maior evento do setor, onde se apresentam milhares de ovinos de todas as raças "brancas".


Peão toca rebanho no Pampa gaúcho: ovinos coloridos participarão da Feinco neste mês, em São Paulo

A vocação das ovelhas coloridas para a notoriedade não se restringe ao nome politicamente correto da associação, que tenta explorar um nicho aberto nos anos 1980 pela expansão das lãs sintéticas e a simultânea saturação do mercado de lãs artificialmente tingidas. O grande diferencial das ovelhas de cor está em suas lãs de fios grossos com pelo menos 14 tons distintos (na realidade, seriam 27 tonalidades, segundo algumas fontes), variando do preto ao bege e passando pelo marrom e o cinza-prateado - matizes que ainda podem sofrer mudanças graças a banhos em caldas da flora sulina, como o alecrim, a carqueja e a chirca. (Respeitando o saber popular, a coleta desses vegetais tingidores deve ser feita ao amanhecer na lua nova. Fora daí, não dão bom resultado.)

Para completar quadro tão peculiar, a Abconc é presidida por Eduardo Amato Bernhard, veterinário de 36 anos que nasceu, vive e trabalha em Porto Alegre. Gerente técnico de um laboratório de produtos veterinários, ele não cria ovinos, apenas coleciona miniaturas desses animais. Embora não tenha origem rural, viaja constantemente pelo Sul para atuar como juiz de certames ovinos ou para atender aos cerca de 70 membros da associação - a maioria mulheres, outra novidade num reduto tradicionalmente dominado por homens.

É uma virada numa história marcada pelo predomínio das ovelhas de lã branca. "A Arco finalmente se abriu para o registro de todas - todas, sem exceção - as ovelhas coloridas", diz Bernhard. Sem querer, o presidente das ovelhas negras tornou-se o denominador comum de uma convergência de interesses visando tirar a ovinocultura da crise das duas últimas décadas.


Paulo Schwab, da Arco, com dois animais da raça texel (os menores) e dois corriedales

O maior aliado de Bernhard nessa cruzada genético-mercadológica é Paulo Afonso Schwab, presidente da Arco, a instituição legalmente responsável pelo cadastro genealógico da ovinocultura nacional. Iniciado pelas raças karakul e crioula (que mantém uma associação própria, criada em 1999), o registro de animais coloridos só não anda mais depressa porque a maioria dos criadores não dispõe de recursos (ou não tem interesse) para bancar a anuidade e os custos das três visitas técnicas obrigatórias para a avaliação tipológica de um cordeiro.


Fonte : Globo Rural

Embrapa pesquisa uso da pitanga no combate ao câncer


A Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, RS, está desenvolvendo uma pesquisa com a pitanga, fruta nativa do Sul do estado, para analisar seu potencial no combate ao câncer. O estudo é feito em parceria com a Universidade da Carolina do Norte, dos Estados Unidos.

A Embrapa Clima Temperado colabora com a primeira parte da pesquisa, dentro do programa de avaliação e seleção da fruta, onde são exaltadas suas propriedades funcionais. De acordo com a pesquisadora Márcia Vizzotto, essa atividade inicial buscou caracterizar a pitanga, identificando seus teores de antocianina, de carotenóides e de compostos fenólicos que promovem a ação antioxidante das frutas.

Em um segundo momento, segundo Márcia, a Embrapa passou a identificar compostos e a elaborar seus extratos e, atualmente, o pesquisador americano Michael Wargovich está fazendo testes em células cancerígenas.

Após testes preliminares com as pitangas de coloração laranja, vermelha e roxa, os pesquisadores descobriram que a pitanga roxa é capaz de inibir e até mesmo matar as células causadoras do câncer de cólon (intestino grosso). “Estamos animados com essa perspectiva, e incentivando a produção e o seu consumo como fruta alternativa, já que é nativa e possui facilidade de produção”, afirma Márcia. “O projeto dá visibilidade à pitanga, pois sabemos que os consumidores estão alertas a alimentos que trazem benefícios à saúde”, completa.


Fonte : Globo Rural