segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O professor favorito de Bill Gates é um e



Salman Khan produz palestras on-line que são assistidas pelos filhos do fundador da Microsoft
por David A. Kaplan, da Fortune*

LIÇÕES ON-LINE | Salman Khan, fundador de uma escola virtual frequentada por 200 mil estudantes
Durante o Festival de Ideias de Aspen, nos Estados Unidos, diante de duas mil pessoas, Gates deu a Salman Khan, 33 anos, o apoio que qualquer empresário adoraria receber. Depois de refletir sobre o que ele chamou de "inacreditável má alocação" de recursos que deveriam ir para a educação, Gates elogiou as "incríveis" aulas de dez a 15 minutos da ONG Khan Academy (khanacademy.org), um vasto tesouro digital de minipalestras grátis, que "tenho usado com meus filhos". Rory, de 11 anos, continuou Gates, é fã dos vídeos de álgebra e biologia da escola virtual de "Sal". Com admiração e surpresa, a segunda pessoa mais rica do mundo comentou ainda que o professor "era um corretor de investimentos que ganhava muito dinheiro". Hoje, disse Gates, "eu diria que avançamos cerca de 160 pontos de QI da categoria fundo de investimentos para a categoria 'ensinar muitas pessoas de maneira alavancada'. Foi um bom dia aquele em que sua mulher concordou que ele deixasse o emprego". Khan nem sequer estava lá - ele soube do elogio de Gates por meio de um vídeo no YouTube. "Foi realmente bacana", comentou o rapaz, um articulado mestre em administração de empresas por Harvard e ex-administrador de fundo de investimentos.

Em uma casa de campo simples, junto à estrada principal do Vale do Silício, em um closet reformado, cheio de prateleiras e equipamentos de vídeo que valem algumas centenas de dólares, sobre o tapetinho vermelho de seu bebê, fica o epicentro do terremoto educacional que cativou Gates e outros. É ali que Khan produz aulas on-line de matemática, ciência e uma série de outros assuntos que o transformaram em uma sensação na web.

A Khan Academy, da qual Khan é o único professor, aparece no YouTube e em outros lugares e é sem dúvida o site educacional mais popular da internet. A lista de Khan de 1.630 aulas ou "tutoriais" (na última contagem) hoje é vista em média 70 mil vezes por dia - quase o dobro do número de alunos de Harvard e Stanford somados. Desde que ele começou suas aulas, no final de 2006, a academia recebeu 18 milhões de visitas únicas em todo o mundo, incluindo os filhos de Gates. A maioria dos visitantes era dos Estados Unidos, seguidos de Canadá, Inglaterra, Austrália e Índia.

Khan diz atingir cerca de 200 mil estudantes. "Não existe motivo para que não sejam 20 milhões." Suas aulas simples, em tom de conversa - o rosto de Khan nunca aparece e os espectadores só veem os esquemas e diagramas simples, passo a passo, em um quadro-negro eletrônico -, são mais que um exemplo de mídia viral distribuída para o universo por baixo custo. A Academia Khan encerra a promessa de uma escola virtual: uma transformação educacional que despreza as salas de aula, os campus e a infraestrutura administrativa, e até os professores de grife.

O aprendizado a distância e os cursos por correspondência existem desde a invenção dos correios. E há muitas escolas particulares e comerciais; a Universidade de Phoenix, no Arizona, tem meio milhão de alunos matriculados, a maioria deles on-line. Outras operações particulares, como a Teaching Co., são especializadas em reunir "grandes cursos" de professores conhecidos nacionalmente: o de "Teoria dos jogos na vida, nos negócios e mais", de um astro acadêmico, custa US$ 254,95 em DVD.

O que é notável na Academia Khan, além de sua publicidade boca a boca e de seu rápido crescimento, é que ela é grátis e valoriza a concisão. Lembra-se de seu professor de macroeconomia que resmungava durante 50 minutos em um grande auditório, capaz de entediar os mortos? Esse não é Khan. Ele raramente faz gracinhas - se você quiser diversão, verifique Darth Vader tentando ensinar geometria euclidiana no YouTube ("O teorema de Pitágoras é o seu destino!"). Mas, em menos de 15 minutos, Khan é capaz de chegar à essência do assunto que ele já vasculhou.

Os críticos on-line questionam se é apenas um amador que está transformando o aprendizado em McNuggets pedagógicos. Mas enquanto você obviamente não aprende cálculo em uma aula - o assunto é dividido em 191 partes, que não incluem outras 32 de pré-cálculo -, os componentes de Khan parecem atingir o ponto perfeito em extensão e conteúdo. Ele cobre um leque surpreendente. Lá estão os temas básicos da matemática - aritmética, geometria, álgebra, trigonometria, cálculo e estatística - e as ofertas científicas de praxe, como biologia, química e física. Mas Khan também dá aulas de Economia de uma Fábrica de Bolinhos, Guerras Napoleônicas e o Instigador Cerebral da Abdução Alienígena.

Khan encontra vários céticos sobre o trabalho que vem fazendo no setor de educação. Eles não duvidam de que ele seja bem intencionado e esteja ajudando estudantes, mas questionam o impacto mais amplo de qualquer curso que não teste o desempenho ou permita a discussão cara a cara entre aluno e professor. "É um sólido recurso suplementar, especialmente para alunos motivados", diz Jeffrey Leeds, presidente da Leeds Equity Partners, a maior empresa americana de capital privado especializada em educação com fins comerciais. "Mas não é uma academia - a iniciativa dele está mais para biblioteca", observa. Mas Khan não pretende nada menos que "dezenas de milhares" de tutoriais oferecendo o que chama de "a primeira escola virtual de classe internacional gratuita, onde qualquer um pode aprender qualquer coisa."

Como muitas epifanias empresariais, a de Khan ocorreu por acaso. Nascido e criado em Nova Orleans - filho de imigrantes da Índia e do atual Bangladesh -, Khan foi durante muito tempo um astro acadêmico. Além do mestrado em administração por Harvard, ele tem três diplomas do MIT: um de matemática e um diploma e mestrado em engenharia elétrica e ciência da computação. Também foi presidente de sua classe no MIT e professor voluntário na Brookline, ali perto, para crianças talentosas, assim como desenvolveu um software para ensinar crianças com déficit de atenção. O que não sabe, ele pega em leituras e reflexões intermináveis: seu dom, como o de muitos professores, é a capacidade de resumir o que é complexo. "Parte da beleza do que ele faz é sua consistência", diz Gates. Sobre a capacidade de Khan de ensinar, Gates, que diz passar um tempo considerável ajudando seus três filhos a aprender o básico da matemática e da ciência, disse à Fortune: "Eu o invejo um pouco".

No verão de 2004, quando ainda morava em Boston, Khan soube que sua prima Nadia, aluna da sétima série em Nova Orleans, tinha dificuldades no curso de matemática para converter quilos. Ele concordou em ensiná-la remotamente. Usando o software Yahoo Doodle como um bloco de notas compartilhado, além de um telefone, Nadia melhorou tanto que Khan começou a trabalhar com seus irmãos, Ali e Arman. A notícia chegou a outros parentes e amigos. Khan escreveu geradores de problemas em linguagem JavaScript para manter um suprimento de exercícios práticos. Mas, entre seus treinos de futebol, o emprego e diversos fusos horários, ficou impossível coordenar tudo. "Comecei a gravar vídeos no YouTube para eles assistirem quando pudessem", lembra Khan. Outros usuários se sintonizaram e estava criado o projeto da Academia Khan.



“ADORAMOS O QUE KHAN FAZ. VAMOS AJUDÁ-LO COM DINHEIRO E CONTATOS” - John Doerr, filantropo americano
Khan continuava trabalhando para o pequeno fundo de investimentos no qual havia entrado depois de Harvard, o Wohl Capital Management. Ele disse que tirou "menos de US$ 1 milhão" antes que o fundo sediado no Vale do Silício naufragasse, e por um breve período, em meados de 2008, criou seu próprio fundo, que não decolou realmente por causa da crise financeira ("Eu o chamei de Khan Capital", ele diz, "mas nunca foi muito além do Capital do Khan", brinca ele). Ele usou seu pé-de-meia para comprar uma casa com sua mulher, Umamia, que é bolsista em reumatologia na faculdade de medicina de Stanford, e também parte como reserva quando desistiu da carreira nos investimentos. Em um dia comum, ele grava algumas aulas, responde a posts de seus alunos, telefona para especialistas quando empaca na explicação de um conceito e examina indagações de potenciais investidores curiosos.

Ele afirma que não se interessa por monetarizar sua operação, cobrando matrículas ou vendendo anúncios. "Já tenho uma linda esposa, um filho hilário, duas motos e uma casa decente", declara em seu site. Mas isso não deteve as doações, sendo a mais notável a de John Doerr, o capitalista de risco do Vale do Silício, e de sua mulher, Ann. Há pouco tempo chegou pelo PayPal uma doação de US$ 10 mil para o site (um presente típico é de US$ 100). Khan mandou um e-mail para a doadora. Seu nome era Ann Doerr. Ele conhecia um John Doerr, mas pensou que fosse um nome comum. Mandou um e-mail de agradecimento e ela sugeriu um almoço. Quando se conheceram, Ann Doerr disse a Khan que não podia acreditar que a maior doação fora a dela. "Adoramos o que você está fazendo." Quando ele chegou em casa, encontrou uma mensagem de Ann: "Você tem US$ 100 mil no correio". Khan está usando esse dinheiro para pagar um salário para si mesmo. Mais tarde ele conheceu John Doerr e, de lá para cá, conta com o casal para conhecer outras pessoas no meio filantrópico.

Em julho, a academia recebeu mais US$ 100 mil - de John McCall Mac- Bain, um empresário canadense que fez fortuna no setor editorial. "Se eu tivesse US$ 1 milhão", diz Khan, "financiaria o desenvolvimento de software de conjuntos de problemas automatizados e traduções dos vídeos". Bill Gates, cuja fundação gasta US$ 700 milhões por ano em educação nos Estados Unidos, pretende conversar com Khan em breve.
Matéria PEGN
* Tradução: Luiz Roberto M. Gonçalves .

Real forte acelera renovação industrial no Brasil


O real forte está ajudando em uma das maiores renovações do parque industrial brasileiro. Nos últimos quatro anos, o País importou US$ 124 bilhões em bens de capital (entre 2007 e outubro deste ano). A cifra impressiona porque significa mais que o dobro dos US$ 57 bilhões adquiridos entre 2003 e 2006. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento.

São milhares de prensas, fresas, tornos, tratores e todo tipo de equipamento destinados a elevar a capacidade de produção do País, que cresce a um ritmo de mais de 7% ao ano. A desvalorização do dólar barateou as máquinas importadas e a crise global provocou uma "liquidação" de equipamentos no exterior.

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Um ciclo de investimentos dessa magnitude aumenta a oferta de produtos na economia e, consequentemente, reduz a pressão sobre os preços. Mais máquinas também significam mais tecnologia. Cálculo da Consultoria Tendências mostra que a produtividade da indústria avançou 6% ao ano entre 2007 e setembro de 2010 - o dobro do registrado entre 2002 e 2006.

"Várias empresas aproveitam a situação cambial para adquirir equipamentos e comprar ativos no exterior. No médio prazo, é positivo para o comércio exterior, porque garante ganhos de eficiência e redes de distribuição", disse o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

matéria: parana online/agencia estado.

Usinas nucleares deverão ser construídas no Nordeste


São Paulo está fora da corrida pela instalação de novas centrais nucleares no País. Estudos da estatal Eletronuclear sobre a localização das próximas quatro usinas, programadas para entrar em funcionamento até 2030, levantaram obstáculos técnicos à construção de instalação nuclear no Estado.

Grandes concentrações populacionais, pouca disponibilidade de água e, paradoxalmente, a presença de grande reservatório subterrâneo, o aquífero Guarani, são quesitos que desaconselham o funcionamento de uma central nuclear em São Paulo, de acordo com avaliação realizada pela estatal, a que o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso.

As duas próximas usinas nucleares brasileiras serão construídas no Nordeste, às margens do rio São Francisco. A localização exata depende de uma decisão política do futuro governo Dilma Rousseff. Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe disputam a central.

Com a saída de São Paulo do páreo, a Eletronuclear detalha estudos de outras localidades no Sudeste e não está descartada a ampliação das instalações de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, cidade que já abriga as duas primeiras usinas brasileiras. Angra 3 teve as obras retomadas recentemente, depois de mais de 20 anos de paralisação. Minas Gerais e Espírito Santo também têm áreas que são avaliadas pela empresa.

A localização das próximas usinas brasileiras é uma das indefinições do Programa Nuclear Brasileiro e será assunto no primeiro "encontro de negócios" da área, na próxima terça-feira, em São Paulo. Na ocasião, será debatida a possibilidade de a iniciativa privada construir e operar essas novas instalações, por meio de concessões, como já acontece com usinas hidrelétricas.

Matéria parana online/agencia estado.

domingo, 21 de novembro de 2010

Minipadaria surge como ótima oportunidade de negócio


O equipamento necessário custa R$ 40 mil e fabrica de cinco a 10 mil pães diariamente. Quem investiu na ideia garante que a lucratividade é alta.



Uma minipadaria é uma boa oportunidade para quem deseja abrir o próprio negócio. E também pode agregar serviços a uma empresa já existente, como um mercadinho, por exemplo. O equipamento produz de cinco a 10 mil pães por dia. Veja só!

Uma mini padaria. Um conjunto de quatro máquinas que misturam, cortam, modelam e assam a massa. Os equipamentos custam R$ 40 mil e produzem até cinco mil pães por dia. A minipadaria foi desenvolvida pelo empresário Renato Tafaro.

“Você tem uma gama de produtos muito grande que você pode fazer dentro dessa minipadaria. Você vai desde confeitaria, pastelaria fina, o pão francês - que é o grande carro-chefe”, declarou Renato Tafaro.

O empresário investiu R$ 100 mil nesta fábrica. Com o dinheiro, comprou guilhotina para cortar as chapas de aço, dobradeira e máquina de solda. A produção é de 10 mini padarias por mês. A empresa também vende equipamentos para produção em grande escala.

“Além de vender para todo o Brasil, nós exportamos os nossos equipamentos para o mercado europeu, para Portugal e para Angola. Os nossos equipamentos são certificados para esse tipo de mercado”, afirmou o empresário.

A fábrica terceiriza a produção de componentes elétricos e motores. No local, é feita a estrutura e montagem dos equipamentos. São eles: a massadeira, para misturar a farinha; a divisora da massa; a modeladora, para dar o formato do pão, e o forno.

“A minipadaria hoje, na parte de alimentação, é uma grande sacada. Com certeza é um investimento bem lucrativo”, disse Renato Tafaro.

Alexandre Gomes Ribeiro é dono de um supermercado e comprou a minipadaria para melhorar o faturamento. O empresário usou um pequeno espaço, de 8 m². No local, ele instalou os equipamentos e montou a vitrine. Em duas semanas de funcionamento, as vendas pularam de 100 para 1,5 mil pães por dia.

“Não é só a vizinhança que pega. O pessoal vem de longe. As fábricas ligam pra gente entregar. Enfim, o pão não tem fronteira. Tanto faz o vizinho, quanto daqui a dois, três, quatro, cinco quilômetros: a pessoa vem comprar. Pela qualidade, pelo preço”, contou Alexandre Gomes Ribeiro.

A produção começa com a mistura da farinha. Em um cilindro, a massa é esticada e depois vai para a modeladora.

“Bom, essa modeladora... vou começar a fazer o mini pão primeiro. Aqui, estou cortando o pão pequeno. Daqui, regula ela para fazer o pão grande. Ela faz a uma base de dois mil pães por hora”, explicou o padeiro João Francisco de Oliveira.

Mas o empresário Alexandro não fica só no pãozinho francês. A padaria tem uma infinidade de itens: pão doce, pão de queijo, croissant, folhados, bolos e tortas.

“Eu vim comprar um pão francês, torta e um pãozinho de queijo. Sempre venho aqui, todo o dia comprar”, contou o cliente Alecsandro da Silva.

Para o empresário, o negócio é um sucesso e se paga em menos de dois meses. A minipadaria fatura R$ 30 mil por mês. E alavanca todo o negócio.

A estratégia é simples, mas muito eficiente. A empresa fixa o preço do pãozinho francês em menos da metade do valor cobrado na região. E atrai gente.

Como a padaria fica nos fundos do supermercado, para comprar pão, as pessoas têm de passar por um corredor com prateleiras cheias de anúncios, com destaques e promoções.

O resultado é impressionante. A minipadaria aumentou em mais de 30% o movimento do supermercado. São, pelo menos, 200 novos clientes por dia comprando.

E, quem vem pegar pão acaba saindo com a sacola cheia. “Vim comprar pãozinho e aproveitei e fiz algumas compras”, disse a empresária Milcéia Maria Jacinto.

Mas esse negócio exige alguns cuidados. Um deles é com as perdas. A produção é controlada para diminuir as sobras. A minipadaria produz aos poucos, em 10 fornadas por dia.

Como se vê, o empresário Alexandro tira lucro do negócio como pode. “Hoje em dia, não dá para pensar um mercado sem padaria. A padaria representa a força de um mercado”, esclareceu.

Uma outra padaria começou pequena e foi crescendo. Hoje, produz sete mil pãezinhos por dia. A empresa investiu na minipadaria e em outras máquinas de grande porte.

“É para atender a demanda. Temos um projeto de crescer futuramente e já pensamos nesses maquinários para atender todas as outras lojas: uma central de produção”, explicou o gerente administrativo Jailson Araújo.

A empresa acrescentou outros produtos. Hoje, também faz bolos, doces, tortas de vários tamanhos, sabores e preços. São mais de 500 itens. É aqui que o negócio dá mais dinheiro. O calzone, por exemplo, sai por R$ 29,90 e alguns bolos chegam a R$ 70 o quilo.

“Há uma preocupação muito grande da loja em estar inovando com os novos produtos. Em média, desenvolvemos entre 10 e 15 itens todos os meses”, informou Jailson Araújo.

Os produtos são expostos no meio da padaria em várias seções. São verdadeiras obras de arte em decoração para encantar a vista do consumidor.

“Eu venho comprar pãozinho, mas eu sempre levo algo a mais. Hoje, eu vim pegar uma torta de morango”, disse a cliente Cicera Mello.

A padaria atende seis mil clientes por dia. O movimento cresce 5% ao mês. Hoje, o tradicional pão francês e o leite representam menos de 5% do faturamento. Pouco, mas essencial: 80% dos clientes vêm aqui por causa do pãozinho e acabam comprando outros produtos.

“A ideia é que ele venha aqui com a vontade de comprar um pãozinho e saia com uma sacola cheia, por conta dos itens diversificados que nós temos aqui na loja. Fazemos tudo para realmente dar água na boca”, declarou Jailson Araújo.

Matéria : PEGN

4 portais de negócios para iniciantes








Matéria : PEGN

Rodeio de gordas” e a marcha da imbecilidade



Ficamos todos chocados com a prática “abestada” (para usar uma palavra corrente nas últimas eleições presidenciais) denominada de “rodeio das ou de gordas”.

A evolução civilizatória do ser humano parece que nunca consegue mesmo se pautar por um crescendo linear. Deveria reinar aqui o princípio da vedação de retrocesso. Mas as coisas não se passam dessa maneira.

Damos dois passos para frente, mas logo em seguida vem outro para trás. Ainda que seja só por brincadeira (de mau gosto), foi uma aberração sem tamanho promover uma “competição” onde os “universitários” (no caso, da Unesp) agarravam suas colegas obesas, para nelas montar (quando possível), devendo permanecer o maior tempo possível sobre elas. Um cronômetro registrava o tempo da humilhação. De brincadeira isso tudo não tem nada. A coisa foi muito séria.

Tiririca diria: “coisa de abestados!”. No mínimo: uma iniciativa claramente equivocada, eticamente horrorosa, que deve ser castigada de acordo com o devido processo, o mais pronto possível (respeito ao direito de defesa, contraditório etc.).

Não se trata de postular uma perseguição típica dos tempos da inquisição contra os autores da indecente façanha, mas isso não pode (evidentemente) ficar impune.

Essas práticas contrárias ao crescimento ético do ser humano não poderiam ser repetidas. A Universidade tem que agir com o rigor necessário (sem se afastar do justo).

O “rodeio de gordas” retrata, de um lado, a bestialidade (animalidade) inerente ao ser humano e, de outro, um desrespeito profundo aos direitos humanos e à ética. Numa única “competição” conseguiram reunir violência biológica ou natural (agressividade inerente ao ser humano, sobretudo como demonstração da virilidade masculina), violência machista ou de gênero (montar ou trepar é o papel que caracteriza o macho em relação à fêmea), violência de identidade (coligada aos nossos medos quanto à imagem corporal), violência escolar (universitária), que configura o chamado bullying (que significa valentão). Quanta bestialidade num só evento, e ainda com direito de publicidade universal, pelo Orkut!

O caso requer sanções administrativas (escolares), civis (indenizações) e, eventualmente, penais (especialmente porque algumas meninas teriam ficado só de calcinha).

O mais triste é saber que tudo aconteceu com alunos de uma escola pública (esclarecidos!). Já se nota arrependimento num dos organizadores do evento (R.N.), que fez proposta no sentido de se organizar um encontro anual no campus universitário para tratar da violência contra a mulher.

Sem prejuízo das sanções cabíveis, nos parece uma sugestão que deveria ser levada em conta, para reafirmar (de forma contundente) os valores éticos de respeito ao semelhante.

Nós, seres humanos, somos distintos dos animais (das plantas e dos minerais) porque contamos (dentro de certas medidas) com o que se chama liberdade. Os animais não podem alterar seus códigos biológicos.

Fazem somente o que estão programados naturalmente para fazer. Não podem ser reprovados nem aplaudidos, porque não sabem se comportar de outro modo (F. Savater). Ou seja: não contam com autodeterminação.

Os seres humanos também somos programados, mas paralelamente à constituição biológica também contamos com uma programação cultural. Em razão da nossa autodeterminação, “sempre podemos optar finalmente por algo que não esteja no programa.

Podemos dizer “sim” ou “não”, quero ou não quero. Nunca temos um só caminho a seguir. Temos vários” (Savater). Premissa básica: não podemos fazer tudo que queremos. Não existe liberdade sem limites e sem responsabilidade.

Embora dentro de certos parâmetros, podemos inventar e eleger (em parte) nossa forma de vida. E também podemos nos equivocar. A essa arte de viver chamamos de ética que, na verdade, não significa apenas a “arte de viver”, senão a “arte de viver humanamente” (respeitando nossos semelhantes, os direitos humanos, os valores básicos de convivência etc.). Tratar nossos semelhantes como “animais” significa ferir profundamente os preceitos éticos que norteiam nossa existência.

Uma coisa é lutar pela sobrevivência, estando isolado em uma ilha (que foi o caso de Robinson Crusoé, criado por Daniel Defoe, em 1719). Outra bem distinta é viver em comunidade (ou seja: “con-viver”). A partir do momento em que um outro ser humano aparece na “ilha”, não há como não tratá-lo como um semelhante. E jamais você pode fazer com os outros o que gostaria que não fizessem com você.

Luiz Flávio Gomes é doutor em Direito penal pela Universidade Complutense de Madri, Mestre em Direito Penal pela USP, diretor-presidente da Rede de Ensino LFG e co-coordenador dos cursos de pós-graduação transmitidos por ela. Foi Promotor de Justiça (1980 a 1983), Juiz de Direito (1983 a 1998) e Advogado (1999 a 2001). www.twitter.com/ProfessorLFG. www.blogdolfg.com.br.
Matéria: paraná online

Estrada de ferro e de esquecimento



Jovens pesquisadores mapeiam paisagem ferroviária em Curitiba e apontam caminhos para a preservação da história fabril. Material deve pautar novas políticas de patrimônio

Publicado em 21/11/2010 | José Carlos Fernandes
Fale conoscoRSSImprimirEnviar por emailReceba notícias pelo celularReceba boletinsAumentar letraDiminuir letraO cartorário João Lazzarotto, 78 anos, nasceu e cresceu à beira da linha do trem, no bairro do Cajuru. Seu pai era ferroviário. E seu irmão – o célebre ilustrador Poty Lazzarotto –, fez dos trilhos e dos vagões presença constante nas obras que criou. Com tanta intimidade, Joãozinho, como costuma ser chamado, volta e meia se refere à estrada como a “ferrovia das galinhas”.

Não deve ser o único a soltar essa anedota. Em Curitiba e algumas cidades da região metropolitana, a linha do trem passava nos quintais, chacoalhava os varais e marcou o imaginário da petizada tanto quanto as Balas Zequinha. Para reforçar, não raro alguém da família trabalhava na Rede Ferroviária Federal – a RFFSA – o que fazia dos vagões e maquinistas um assunto para os cafés com cuque.




Edifício Teixeira Soares no Centro de Curitiba: pequeno trecho protegido
Ói o trem...
Confira a principais discussões que rondam o debate sobre a preservação da paisagem ferroviária da capital.

1 Tombamento: a paisagem ferroviária de Curitiba não está tombada pela União ou pelo Estado. São exceções a Estação Ferroviária e a Ponte Preta, na Rua João Negrão. No entorno, está tombada a Serra do Mar – o que não inclui as estações. Mas desde 2007, por decreto federal, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, é responsável pelo mapeamento e gestão dos imóveis e bens da RFFSA.

2 Mapeamento: o Iphan está fazendo um inventário dos bens da Rede em todo o país. Ainda não há informações conclusivas sobre o número de estações, casas, prédios administrativos e acervos, a exemplo do que está no Edifício Teixeira Soares, da Rua João Negrão, futuro câmpus da UFPR. O volume de bens é imenso e demanda pesquisas como a realizada pelo grupo de Dayana Zdebsky.

3 Preservação: O superintendente do Iphan no Paraná, José La Pastina, acredita que o atual modelo de gestão da paisagem ferroviária tende a dar certo. Embora sem os rigores do tombamento convencional – necessário apenas em alguns casos –, o instituto sensibiliza municípios e empresas. A ALL, por exemplo, tem compromissos firmados de preservar. E graças às parcerias, estações como a Lavrinha, na Lapa, foram restauradas e ganharam novos usos.

4 Retirada dos trilhos: Assunto delicado: ninguém duvida que isso vá acontecer, a exemplo do realizado no ramal Portão. O risco é que surjam novas Ferrovilas – nome dado à ocupação irregular instalada na linha de trem que passava por dentro das madeireiras da região. La Pastina acredita que mesmo sem os trilhos, o caminho por onde passava o trem deva ser mantido como ciclovia, via alternativa ou mesmo para trânsito de pequenos trens. “É um caminho da cidade. Deve ganhar nova utilidade, mas sem descaracterização violenta.”

5 Linha Paranaguá: é tombada pelo Estado – a Serra do Mar, pontes e trilhos, não as casas, que dependem das parcerias. La Pastina informa que o Iphan não abrirá mão de o trem partir da Rodoferroviária, pois entende que esse ramal não interfere negativamente. Outras cidades caíram na esparrela de anular a memória do trem. Nenhuma delas fez a coisa certa.
Os tempos, claro, são outros. Da RFFSA resta um emblema apagado nas fachadas dos prédios da Rua João Negrão. Para os mais moços é, com sorte, o tema de uma música engraçada de Kleiton e Kledir. Os trens ainda estão por aí, mas cruzam a cidade transportando carga, trepidando muros, fazendo apitaços e levando os motoristas à loucura. Nas janelinhas, acenando, não há moçoilas de chapéu. Parte da poesia do trem, diga-se, ficou na saudade.

Por essas e outras, tem-se como favas contadas a retirada dos trilhos do ramal que leva a Rio Branco do Sul, o mais problemático. Mas corre-se o risco de que o sumiço desse endereço do passado só sirva para dar lugar à desmedida coleção de automóveis da cidade. Poucas galinhas fujonas dos Lazzarotto sobreviveriam a essa mudança.

Os prédios de administração ferroviária, vilinhas de operários, pontes e estações da Rede – tal como os trilhos – gozam do mesmo desprestígio. De modo que depois dos prédios das indústrias Matarazzo e da fábrica do Matte Leão – para citar dois conjuntos da paisagem fabril da região prestes a virar fumaça – não é alarmismo afirmar que a paisagem ferroviária se aproxima do fim.

A situação tira o sono de especialistas e militantes do patrimônio. Muitos, vale lembrar, fizeram da questão uma espécie de culto secreto, uma religião das catacumbas, na qual conspiram para salvar o que resta da cultura da estrada de ferro. Nesse momento, alguém deve estar fotografando uma estação na Serra do Mar ou um chalé da Vila Oficinas, apegado, talvez, à memória dos antepassados ou à simpatia que os trens teimam em despertar.

Foi mais ou menos o que aconteceu a um grupo de seis jovens pesquisadores que no último ano se dedicaram, literalmente, a andar pelas linhas férreas da capital. Eles venceram um edital da Fundação Cultural de Curitiba, no valor de R$ 60 mil, para estudar a paisagem ferroviária. Produziram um livro e um site – a serem lançados – e, como se dizia, “descobriram a América”.

“Você conhece um trecho de rua com casas de operários, na Engenheiros Rebouças, altura do Estádio Durival de Brito?”, pergunta o fotógrafo Leco de Souza, um dos participantes, repetindo uma conversa recorrente entre os participantes do projeto “Pelos Trilhos”. Eles são pura novidade. As sobras da RFFSA não eram o maior interesse do grupo, mas, via de regra, todos estavam ocupados de questões urbanas. Agora se rendem à “era paralelepípeda” e se tornam referência no assunto.

Além de Leco, participaram do levantamento as antropólogas Dayana Zdebsky de Cordova – coordenadora da pesquisa – e Aline Iubel; os arquitetos Gabriel Gallarza e Maria Baptista, e o historiador Fabiano Stoiev. A média de idade da trupe é 27 anos. À primeira vista, mapear um cenário antigo da cidade pode até parecer uma aventura de mocidade. Mas o fato é que trabalhos como esses – financiados e, portanto, capazes de atrair profissionais gabaritados – vêm sendo apontados como uma saída para o túnel em que se meteu o patrimônio.

A explicação é simples. As políticas de preservação no Brasil são frutos do nacionalismo dos anos 30 e carregam tantas contradições quanto a época que as viu nascer. Não é difícil imaginar que, apesar de mentes brilhantes como a de Mário de Andrade terem contribuído para a questão, ela se desenvolveu de maneira torta: consegue ser paternalista e mal subsidiada ao mesmo tempo. “Acostumou-se a achar que só o extraordinário deveria ser preservado”, observa a pesquisadora da USP Manoela Rossinetti Rufinoni, especializada na paisagem fabril de São Paulo.

Além de só contemplar casarões e palacetes, essas políticas se pautaram por ter passos bêbados. Quando os órgãos oficiais se encantavam com um período histórico, fatalmente ele já se encontrava a caminho dos infernos, sobrando uns poucos endereços para cuidar. É o destino, por exemplo, da arquitetura moderna de Curitiba, vítima da fragilíssima política de preservação da prefeitura.

Editais, como o vencido por Dayana e seus parceiros, podem reverter essa tendência. Com documentação sólida e convincente, é mais fácil ultrapassar a velocidade com que se destrói o patrimônio e convencer os gestores a andarem mais rápido. Houvesse um estudo sobre a arquitetura fabril da erva-mate, quem sabe, Curitiba teria encontrado uma solução menos bárbara para suas fábricas do Rebouças.

A experiência da dupla de arquitetos do projeto aponta para a eficácia dos mapeamentos. Maria Baptista e Gabriel Gallarza identificaran nada menos do que 295 pontos da cidade em que a paisagem ferroviária dá o ar da graça em edificações, áreas verdes, cruzamentos viários, panorâmicas ou rastros. “A gente observa e descobre que uma chave de trilho tem um atalho que leva a uma fábrica”, comenta a antropóloga Aline Iubel, sobre as surpresas de encruzilhadas do Cajuru e do Capanema, atalhos para histórias inimaginadas para a maioria.

Em paralelo às informações específicas, Maria, Gabriel, Aline e os demais já podem arriscar diagnósticos. “O que me interessou foram as áreas verdes ao longo do trilho. Virou uma reserva”, comenta Maria, sobre um aspecto que tende a ser a maior contribuição do projeto “Pelos Trilhos”: além de quantificar o patrimônio ferroviário e de documentá-lo, a pesquisa mostra, nas entrelinhas, como a ferrovia marcou a dinâmica da cidade e a salvou de si mesma. Ignorar essa informação é como chutar a capital na espinha.

O saldo dessas descobertas não poderia ser mais positivo. À revelia dos investidores imobiliários, empresários e gestores públicos – que menosprezam a memória do mundo do trabalho – a produção do grupo aponta a relação afetiva dos curitibanos com a linha do trem. A Rede sumiu, mas não a sua importância na ordenação da cidade. A relação, claro, é de amor e ódio. O transporte de carga fez com que linha virasse um corpo estranho, sem interferência positiva na rotina dos curitibanos. “Hoje, a linha não está integrando a malha urbana. É poética, mas também defasada”, observa Dayana. “Perdeu-se o vínculo”, acrescenta o historiador Fabiano.

O fato é que sem resolver essa equação entre afeto e utilidade, vai ser muito difícil que alguma política de preservação salve a paisagem ferroviária. Ela se mantém em pé porque é usada – ainda que por uns poucos. Mas tende a beijar a lona se não for integrada à rotina da capital. O assunto apaixona e divide o sexteto de pesquisadores. Deve contaminar outros jovens como eles. A paisagem ferroviária de Curitiba, enfim, se encontrou com o futuro.

matéria : gazeta do povo