sábado, 6 de novembro de 2010

Cardápio de velório -- CUECA VIRADA



Livro conta histórias de um costume tradicional em Minas Gerais: servir comidas enquanto se vela o morto
por Texto Janice Kiss I Vídeo: Roberto Seba
A mineira Déa Rodrigues da Cunha Rocha pretendia fazer o registro da culinária mais tradicional da sua terra. Mas durante a pesquisa se deparou com relatos de receitas preparadas para os velórios, em especial nos das áreas rurais. Ela decidiu mudar o rumo da publicação e lançou Os comes e bebes nos velórios das Gerais e outras histórias (Auana Editora, R$ 30), que em 2009 lhe conferiu a terceira colocação na categoria contos e crônicas do Prêmio Jabuti, o mais importante reconhecimento literário do país. Aqui ela ensina a receita da cueca virada, um bolinho apreciado – e não apenas em velórios – em muitas regiões do país. Assista o vídeo para ver direitinho como se “vira a cueca”.





Cueca virada
(10 porções)

Ingredientes
1 kg de farinha de trigo
1 copo (tipo americano) de óleo
1 copo (tipo americano) de leite morno
6 colheres (sopa) de açúcar
2 colheres (sopa) de fermento em pó
2 ovos
1 pitada de sal
açúcar e canela em pó

Como fazer
Junte todos os ingredientes em um recipiente e amasse bem até a massa ficar lisinha. Deixe descansar por cinco minutos. Abra a massa e corte em retângulos de 10 x por 6 cm. Faça um corte de 2 cm em cada um deles no sentido do comprimento. Puxe as duas pontas superiores por essa abertura. Coloque as “cuecas-viradas” para descansar por mais cinco minutos. Em seguida, frite em óleo bem quente, com cuidado para não queimá-las e transfira para uma travessa forrada com papel toalha, para que o excesso de gordura seja absorvido. Passe-as no açúcar misturado com canela e sirva.

matéria globo rural.

A virada do morango




Piedade, SP, recupera os plantios com variedades que dão origem a frutas de fina qualidade – maiores no tamanho e doces no sabor
por Janice Kiss | Fotos: Marcelo Min

Produtores estão dispostos a ganhar o consumidor com a oferta de um fruto diferenciado
É agora no final do ano que os produtores de Piedade, cidade a 85 quilômetros de São Paulo, se preparam para a safra mais farta do morango, cujo ciclo de produção abrange os meses de maio a janeiro. Mas não se trata da colheita de um fruto qualquer. As variedades camarosa e camiño-real, cultivadas no município, vêm da Argentina e do Chile e dão origem a uma fruta mais gorducha (pesa dez gramas a mais, em média) e de sabor adocicado – ao contrário do cultivar toyonoka, de procedência japonesa, mais leve (entre 25 e 30 gramas) e mais ácido.

Há seis anos, os agricultores fizeram essa troca porque não compensava despejar no mercado frutos semelhantes aos produzidos em Jarinu e Atibaia, municípios vizinhos e concorrentes que foram responsáveis pela maior parte dos 5 milhões de caixas da safra paulista no ano passado. “Fazíamos mais do mesmo. Agora, queremos ser conhecidos pelos morangos de alta qualidade”, afirma Adélcio Vieira de Jesus.

O produtor se decepcionou muito com o antigo cultivo, que não tinha o valor merecido e enfrentava um trio de inimigos – pulgão, ácaro e tríplice – que derruba qualquer plantação. O combate é feito por meio de agrotóxicos, e a aplicação, às vezes, chega a ser semanal, dependendo do grau de infestação. A prática pesa no bolso do agricultor e colabora para a fama da fruta de ser uma das que mais recebem pesticidas durante seu crescimento. Contrariados, Adélcio, o irmão Juraci e a esposa, Silvana, chegaram a substituir os canteiros pela horticultura, como fizeram tantos outros na cidade. Há pouco mais de uma década, o morango quase foi extinto em Piedade.

A virada da situação chegou de um jeito inesperado para todos eles. O engenheiro agrônomo Osmar Borzachini, da Casa da Agricultura local, procurava por produtores capazes de atender ao pedido de uma indústria japonesa de geleias. Osmar tinha conhecimento dessas variedades mais resistentes, de cor e tamanho diferenciados, e incentivou os agricultores a plantá-las para a exportação. Porém, eles conseguiram enviar apenas a primeira carga de 20 toneladas rumo ao Japão, surpreendidos pela queda do dólar e o fortalecimento da moeda nacional. “Seria falta de juízo não escoar as colheitas para o mercado interno”, relembra Adélcio.


Adélcio Vieira (à esquerda), o irmão Juraci e a esposa, Silvana, são experientes no cultivo cheio de delicadezas, que não gosta de sol nem umidade em excesso
Só que, dessa vez, os agricultores tinham um produto diferenciado para competir na praça. Adélcio se animou e passou a cultivar 63 mil pés em dois hectares, que lhe garantem a colheita de 60 mil caixas durante o ciclo. A produção costuma ser comercializada de duas formas: nas tradicionais bandejas de plástico, com frutos sobrepostos (R$ 2,50 cada – preço para o consumidor), ou de isopor, com morangos graúdos enfileirados (de R$ 3,50 a R$ 4 por unidade). Alguns rotulam a embalagem com nome e telefone para contato. “Isso cria proximidade com o comprador”, analisa Osmar.

Adélcio não esconde o desejo de ver sua cidade retomar o título de capital do morango que já teve um dia. “Daqui a um tempo, não seremos apenas conhecidos como a terra da alcachofra”, diz, referindo-se à fama local. Atualmente Piedade conta em torno de 120 produtores dedicados ao cultivo do morangueiro.

As variedades trazidas da Argentina e do Chile têm um série de vantagens – mudas mais sadias, maior durabilidade na prateleira, resistência a fungos e pragas, e, por isso, menor aplicação de agrotóxicos –, mas também precisam de condições ideais (calor constante de 25 °C e temperaturas de 15 ºC a 18 ºC na época da indução da flor) para o fruto se desenvolver sem percalços. O próprio Osmar, que arrendou cinco hectares para cultivo próprio, já “apanhou” com as sutilezas do plantio. “Um dia está tudo perfeito, no outro pode aparecer do nada uma praga na plantação”, desabafa.




Gorduchas e adocicadas são as frutas que chegam ao mecado paulista
Por isso, ele investiu na irrigação por gotejamento, para que a planta consuma a quantidade correta de fertilizante e água. Outra novidade que ele e os produtores estão dispostos a implantar é um túnel de plástico com cobertura removível sobre os canteiros, a fim de conter o excesso de sol e umidade, prolongando o ciclo da cultura. “Com essa medida, o morangueiro chega a ter rendimento 50% superior, porque se torna produtivo durante mais tempo”, explica. Por enquanto, a plantação exposta ao tempo permite ao produtor colher um quilo da fruta por planta. Os cultivos com a variedade tradicional rendem 750 gramas por pé.

É certo que tanta vantagem tem seu preço. Cada muda, comprada em caixas com mil unidades, sai a R$ 0,36 centavos, quase o dobro da convencional. O agrônomo Osmar Borzachini calcula que o custo final, por planta, seja de R$3,60, incluindo a fertirrigação. Segundo ele, os produtores estão dispostos a arcar com a conta mais alta. “O sonho é voltar a produzir muito morango, como no passado”, confirma Adélcio de Jesus. Com a diferença de que, agora, eles querem ser reconhecidos por produzirem uma fruta especial, mais suculenta e adocicada. matéria : revista globo rural

Extrativismo de licuri é opção de renda no Semiárido do país


Fruto possui qualidade nutricional semelhante à do açaí
por Globo Rural Online, com informações da Embrapa
Bebidas, sabonetes, detergentes e picolés: é como ingrediente destes produtos que o licuri começa a ganhar destaque no Brasil, uma palmeira típica do sertão nordestino, com qualidade nutricional semelhante à do açaí, mas que ainda não caiu no gosto de atletas ou dos que preferem levar à mesa alimentos orgânicos. Produtores do vegetal, concentrados principalmente na Bahia, atribuem a situação à falta de publicidade do fruto.

De acordo com o engenheiro agrônomo José Barbosa dos Anjos, pesquisador da Embrapa Semiárido, no fruto são encontrados zinco, potássio e fósforo em quantidade superior ao do açaí.

Costuma-se quebrar os coquinhos da planta para a retirada de amêndoas. Cerca de 90% da colheita é comprada por indústrias processadoras de óleo para a produção de saponáceos e cosméticos. Os negócios em torno da palmeira ainda se estendem à venda da casca, destinada à produção de tijolos e telhas. Em 2009, o preço da palmeira chegou a R$ 28 a tonelada.

Segundo Barbosa, o rendimento da extração manual de coco licuri é muito baixo para os agricultores. Em tese, eles recebem R$ 1 por quilo de amêndoas comercializadas. Ainda que revele uma atividade de subsistência, o comércio em torno dessa palmeira produz reflexos positivos nos indicadores socioeconômicos baianos, gerando renda e empregos.

Por este motivo, nos últimos dois anos, o pesquisador coordenou o projeto “Estratégias de aproveitamento dos coprodutos do licuri na alimentação humana e animal”, que avaliou o fruto como ingrediente na preparação de alimentos, além de apresentar técnicas de pré-processamento para consumo in natura da polpa ou suco pasteurizado. Se processada, a amêndoa adquire cor branca, podendo ainda concorrer com produtos à base de coco.

“Ao agregar valor ao fruto da espécie nativa, além de ampliar sua valorização, fortalece e confere sustentabilidade a um negócio extrativista que se expande por extensa área do semiárido brasileiro”, conclui Barbosa.
matéria : revista globo rural

Gado inglês produz leite supervalorizado


rebanho dos sonhos de qualquer produtor de leite está no Reino Unido. Cerca de 44 vacas, da raça shorthorn, produzem o leite mais caro do país. Meio litro da bebida chega a custar R$ 4,65.

Segundo os criadores do gado, um grupo de Hare Krishnas da cidade de Watford, em Hertfordshire, a dieta dos animais é livre de hormônios e, por conta da crença religiosa do grupo, os bichos não sofrem nenhum trauma físico. “Nós não prejudicamos nenhuma criatura viva”, afirmam. O resultado, diz o jornal Daily Mail, é um leite três vezes mais caro do que o produto comum.

O Milk Ahimsa, marca do leite sagrado, é produzido em uma fazenda de 78 hectares e o trabalho tem até trilha sonora. Os Hare Krishnas entoam seus mantras para acalmar as vacas.

Radha Mohan, porta-voz do grupo, acredita que o leite da marca e seus derivados valem o custo. “As pessoas estão dispostas a pagar mais por orgânicos por serem mais saudáveis e nós acreditamos que nossos produtos atraem também as pessoas que se preocupam com os animais”.
Além dos cuidados com o rebanho, os bezerros são mantidos com suas mães por mais tempo, o que lhes permite uma alimentação mais completa, dizem os criadores. Após concluir exigências sanitárias, os produtores esperam obter cerca de 1,8 mil litros de leite por semana.

Vinho francês de 150 anos é vendido pelo preço recorde de R$ 401 mil


Três garrafas do vinho Chateau Lafite-Rothschild, considerado um dos mais finos do mundo, foram adquiridas por chineses
Uma garrafa de vinho tinto da época de Napoleão Bonaparte, fabricada cerca de 150 anos atrás, na França, foi vendida nesta quarta-feira (03/11) em um leilão pelo equivalente a R$ 401,36 mil. O Chateau Lafite-Rothschild foi arrematado por investidores chineses na casa de leilões Sotheby’s, em Hong Kong. Ao todo, o grupo adquiriu 3 garrafas, que somaram R$ 1,204 milhão.

Esses vinhos, originários da região de Bordeaux, foram aclamados entre os especialistas como os mais finos já obtidos. Entretanto, críticos advertem para o fato de que o sabor da bebida seja apenas um pouco melhor que o de um vinagre.

O encanto inicial com um preço tão algo pago por um derivado de uva foi temperado pelo temor de que isso elevasse os preços dos vinhos cada vez mais, afastando a bebida dos consumidores.

De acordo com Simon Staples, da loja de vinhos Berry Bros, um leilão como esse tem efeito imediato. “Os preços do Lafite 2008 subiram 40% em 48 horas”, afirma. “Tão logo países como China e Índia despertem para os vinhos finos, teremos sérios problemas de abastecimento do produto e isso forçará a subida dos preços. Em 5 anos, temo que será impossível para muitos consumidores adquirir um vinho de qualidade superior”, conclui.

Matéria: revista globo rural

Butamax lança biobutanol, um novo tipo de álcool combustível


A Butamax Advanced Biofuels, joint-venture criada com a parceria entre as empresas BP e DuPont, apresentou nesta quarta-feira (03/11), em Paulínia, SP, um novo combustível que será produzido no Brasil: o biobutanol, um álcool que pode ser misturado à gasolina em maiores concentrações que o etanol para uso em motores convencionais. “Será uma tecnologia complementar ao etanol”, disse Ricardo Vellutini, presidente da DuPont do Brasil.

O novo combustível pode ser gerado dos mesmos materiais usados na elaboração do etanol e, desde 2004, cerca de 100 cientistas da Butamax estudam a sua eficiência a partir da cana-de-açúcar, milho, trigo e soja. Uma das diferenças entre os dois produtos está no fato de o biobutanol ter um conteúdo de energia mais próximo ao da gasolina (mais de 90%) do que o etanol (que tem cerca de 60%), e por isso pode ser adicionado em maior volume à gasolina convencional.

Para avançar nas pesquisas a partir da cana-de-açúcar, a Butamax instalou um laboratório em Paulínia, SP. “A iniciativa visa acelerar o processo de produção em escala comercial do biobutanol no Brasil”, disse Tim Potter, CEO da Butamax. A principal diferença química entre os dois combustíveis é que o etanol possui dois carbonos em sua cadeia carbônica, já o biobutanol possui quatro. “O novo combustível gera o dobro de energia renovável por litro de gasolina e não requer qualquer modificação nos automóveis”, diz Vellutini.

Para o executivo, a nova tecnologia agrega valor onde ainda não há infraestrutura para a implantação do etanol. A estimativa da Butamax é de que o Brasil exporte 7,5 bilhões de litros entre 2013 (quando o biocombustível começará a ser produzido em escala comercial) e 2020. A empresa já está negociando a venda da licença de uso da nova tecnologia para usinas brasileiras. “Os usineiros vão poder produzir etanol para o mercado interno e biobutanol para exportação”, conclui o presidente da DuPont.
matéria:revista globo rural.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Países dizem que EUA desrespeitam direitos humanos


Os Estados Unidos foram acusados hoje de violações aos direitos humanos que vão da discriminação racial à superlotação carcerária nas prisões e abusos praticados por soldados norte-americanos no exterior, em um fórum da Organização das Nações Unidas (ONU) ao qual Washington prometeu participar em pé de igualdade com outros países, ao invés de desprezar o evento, como fez o governo do presidente anterior dos EUA, George W. Bush.

A subsecretária de Estado norte-americana Esther Brimmer disse que os EUA estavam preparados para responder às críticas durante a primeira revisão exaustiva do país ante o Conselho de Direitos Humanos do órgão. Se antecipando a duras críticas de adversários tradicionais como Cuba, Venezuela e Irã, Brimmer condenou as restrições à liberdade de expressão nos três países, assinalando ante o Conselho, de 47 nações, que o governo de Barack Obama estava acostumado a escutar críticas dos seus próprios cidadãos em jornais, em websites e em programas de rádio e televisão. "Alguns são respeitosos e construtivos, outros não são", disse Brimmer. "Nós protegemos a todos", acrescentou.

Em um forte discurso no qual destacou os avanços dos EUA, embora também suas falhas, Brimmer observou que "é ao nosso povo a quem, em definitivo, devemos prestar contas", embora tenha reconhecido a disposição de Obama de escutar as recomendações dos outros países sobre como pode melhorar a situação dos direitos humanos nos EUA.

Um dos primeiros países a desafiar hoje os EUA foi a Rússia. Moscou pediu ao governo americano que decrete a abolição da pena de morte, ainda amplamente usada em vários Estados norte-americanos. Já a Indonésia, maior país povoado por muçulmanos no mundo, exortou Washington a promover melhor a tolerância religiosa. O México se queixou de que a individuação racial está se tornando uma prática comum em alguns Estados norte-americanos.

A China está entre as dezenas de países que instaram os EUA a ratificarem as convenções internacionais sobre os direitos das crianças e das mulheres que Washington assinou, mas que o Congresso dos EUA ainda não aprovou. Especialistas em direitos humanos opinam que é menos provável que sejam aprovados esses tratados, agora que os republicanos obtiveram um forte triunfo nas eleições e passaram a controlar novamente a Câmara dos Representantes (deputados). As informações são da Associated Press
Fonte: matéria agencia estado, foto arquivo/Reuters.